Depois do aclamado Before These Crowded Streets de 98 e do controverso Everyday, de 2001, a Dave Matthews Band solta um disco diferente. Algumas músicas já era conhecidas dos fãs, fruto das Lillywhite sessions, apenas duas eram inéditas: Where Are You Going e You Never Know.Diferente do disco anterior que trilhava por um universo mais pop - não que isso seja ruim - Busted Stuff é um disco mais denso, quase depressivo. A faixa-título inicia o disco, um clima legal, Carter explorando bem os detalhes, mas com uma letra já pessimista: I know she's gonna leave / My broken heart behind. Grey Street é basicamente sobre arrependimento, talvez uma mensagem de Dave pra sua ex-namorada, que se chamava Grey. A música segue no estilo DMB, com o sax em destaque, Leroi conduz a música praticamente sozinho dando passagem à próxima canção, Where Are You Going, bem lenta, com um piano permeando a música toda. A letra, mais uma vez, é bem introspectiva. You Never Know continua no clima do disco, falando sobre como as pessoas se esquecem dos seus sonhos em decorrência do mundo e como se sentem pequenos perante a grandeza do universo: Lying on the roof counting / The stars that fill the sky / I wonder if someone in the heaven / Is looking back down on me / I’ll never know / So much space to believe. Apesar disso ainda há, mesmo que discreta, uma mensagem positiva: But everyday should be / A good day to die, talvez tentando incentivar a todos a viverem intensamente, já que tudo pode acabar rapidamente. Captain também é bem lenta, uma letra que remete logo a um desentendimento conjugal. Não sei se foi isso que o Dave quis passar, mas retrata bem a situação de separação: Now I am the captain of this ship / Curious hands and fingertips e tentativa de reconciliação: Oh how could I even try / Love won't you stay with me?. Raven da início ao ponto alto do disco, que é a segunda metade. Com uma letra bem confusa e instrumental impecável, Boyd e Leroi construindo todas as passagens da música enquanto os outros fazem bem seus papeis. Grace Is Gone é o ponto alto do disco. A tão temida ''música country'' das Lillywhite sessions se mostrou a mais depressiva do disco, música de fossa mesmo. A letra é maravilhosamente triste, canção típica pra se escutar no bar, chorando no ombro do garçon. One drink to remember / Then another to forget / How could I ever dream to find / Sweet love like you again. Kit Kat Jam é a instrumental do disco, bem pra cima e diferente de todas as outras músicas, totalmente fora do contexto soa deslocada em meio a tanta depressão. Digging A Ditch provavelmente é uma tentativa de exorcizar os demônios de cada um. A melhor maneira de fazer isso é enterrando todos em uma cova. Várias partes apenas com violão e voz dão um clima intimista e bem pessoal à música. Big Eyed Fish é a fuga drástica de todos os problemas. Desde a morte de um peixe de olhos grandes até o suicídio de um idiota. But oh God / Under the weight of life / Things seem brighter / On the other side. A última e maior faixa do disco é Bartender, um devaneio sobre o medo da morte e sua imprevisibilidade. Oh and if I die before my time / Oh sweet sister of mine please / Don’t regret me if I go / Bartender please, fill my glass for me / With the wine you gave Jesus / That set him free / After three days in the ground.
Busted Stuff é um disco excelente. O mais intimista, denso e depressivo da DMB, totalmente diferente de todos os outros e o único a bater de frente com o Before Theses Crowded Streets.